março 28, 2009 por paulo amoreira
Wim Wenders
Conferência num colóquio sobre técnicas narrativas
fragmento:
Em inglês, para o vocábulo «contar», há apenas uma expressão constituída por três palavras: to tell stories. O meu problema reside exactamente aqui: para lhes falar sobre o narrar, convidaram alguém que, desde sempre, só teve problemas com as stories.
Tenho que começar mesmo pelo princípio. Fui pintor, interessava-me única e exclusivamente o espaço: paisagens e cidades. Tornei-me realizador, quando notei que não “progredia” como pintor. Faltava alguma coisa aos quadros e à pintura! De um quadro para outro faltava alguma coisa, e faltava igualmente alguma coisa em cada quadro isolado. Dizer que faltava vida teria sido demasiado simples; eu pensava, pelo contrário, que faltava o conceito, a concepção de tempo. Quando comecei a filmar, entendia-me, em vista disto, como pintor do espaço à procura do tempo. Nunca me ocorreu designar este procsso por “narrar”. Eu era, certamente, muito ingênuo. Imaginava o filmar como sendo fácil. Pensava, como pintor, que bastava ver alguma coisa para logo poder também mostrá-la e pensava além disso que um narrador (eu não o era, contudo) tinha primeiro que escutar e somente depois falar. Rodar um filme queria, para mim, dizer que se ligava tudo isto. Isso foi um erro; contudo, antes que eu o possa aqui esclarecer, tenho que falar de outra coisa.
integra do texto: historias possiveis – clique aqui